Figuras dessa vida: Toninho

O Toninho é uma figura que muito nos ajuda nessa temporada paulistana. Amigão, pontual, sempre disponível, simpatia pura. Fala pelos cotovelos e acho que é por isso que nos damos tão bem. Achei outra matraca desenfreada. Se preferir, vc pode chamá-lo de Toninho GPS que não é exagero algum. Nem os caras da CET conhecem tão bem as quebradas de Sampa. O cara até tira onda que o GPS que ele carrega (no porta luvas e desligado) é muito enrolado e menos rápido que ele. Pior que é verdade. São 30 anos no trânsito de São Paulo sem nenhum acidente, sempre conduzindo, como ele faz questão de dizer, apenas os amigos. Se ele disse que chega em 20 minutos em algum lugar que vc antes fez em 40, pode confiar. Ele chega. 
 

Mas tem uma que eu precisava contar aqui…

 

Na última sexta, estava eu voltando com o Toninho para a nossa base no Itaim, vindo da Barra Funda, por volta das 18hs. Putz, centro da cidade, hora de pico, trânsito ruim. Mas isso não é problema pro Toninho! Já já, pensei eu, ele encontra umas daquelas ruas paralelas que o trânsito flui que é uma beleza e chegamos rapidinho… coisa que ele conhece como ninguém! No meio do trânsito, o diálogo é melhor que a descrição:

 

– Caramba, Toninho, a coisa tá feia aqui, né?

– pô “Murael”, deixa comigo, né! Pegamos a rua aqui do lado e vc vai ver só.
 

E ele entra na paralela…

– Vc me desculpa, não repara não que a rua é feia… (e começa a contar a história do bairro inteiro!!!)

– Aqui é meio feio, mas é tranquilo – continua ele – Fica frio que você vai ver só, deixa com o Toninho. Esse caminho ninguém conhece!

 

Nessa hora, estávamos numa rua esquisita, estreita, cheia de movimento estranho. E o Toninho falando sem parar, pra variar… o carro pára no farol e quando eu olho pro lado, nada menos que uns 40 mlks de rua, homens, mulheres fumando crack!!! Era um show pirotécnico de esqueiros acendendo. Todos em volta do carro, enrolado em cobertores. Tomei um susto animal e perguntei assustado interrompendo a história paulistana do Toninho:

 

– ô Toninho!!! Que que isso?? Onde nós tamo, bicho??

– Fica frio, isso é a galera do crack, pô. Tá tranquilo! E continuou a falar sem parar como se estivesse no boteco com os amigos, nem tchum… os caras em volta do carro. Tipo pensando: opa! freguês!

– Tranquilo???? Pra você né? Vaza daqui bicho!!! Acelera esse carro Toninho!

– Calma meu amigo, tá dominado – (Resposta padrão, essa viu? Só pra avisar)

 

Mermão, ele cortou caminho pela Cracolândia! Só isso. Eu com a cara de assustado e o Toninho rindo sem parar, sem parar de falar é claro e descrevendo o lugar, como se eu fosse um turista querendo conhecer aqueles pontos trash da cidade:

 

– Aqui do lado é não-sei-o-que, ali naquele buraco escuro é xpto, bla bla bla bla… 

 

Ele tinha certeza que tava passeando pelo bosque, só pode. Eu, claro, querendo ver alguma rua com um movimento normal de pessoas.  

 

Passado o susto – depois me explicaram que não havia perigo nenhum (???), realmente chegamos mais cedo e cortamos o trânsito animal!  Ficou a história pra contar e um caminho a menos pra usar nos famosos atalhos do Toninho. Que figura… 

 

ps: Se um dia vc for cliente do Toninho e seu possante prata, igore a opção “com emoção”, sempre ofertada quando vc diz que está com pressa. Vai por mim.

 

 

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Sampa Life

Eu sempre disse que, pra mim, o melhor de São Paulo é a sala de embarque de Congonhas. Tá bom, é um pouco exagerado. Mas a sensação de sufoco que essa cidade provoca é punk mesmo. Talvez porque eu sempre vinha pra cá na correria, vindo de manhã pra voltar de noite. Trânsito, reunião, trabalho, trânsito, aeroporto. 

 

A correria continua, não vou e volto todo dia mais, às vezes só no fim de semana. Por isso, tá dando pra descobrir um outro lado da cidade nesse dia-a-dia acordando e dormindo por aqui. Isso pode soar meio estranho, parecer papo de doido. Mas se considerar que nasci em Brasília, que é uma cidade que não tem cara de cidade, viver em São Paulo mesmo que de passagem não é fácil. 

 

Por isso, depois de um tempão sem blogar, vou começar a passar as minhas impressões positivas da cidade. Um candango perdido nessa cidade malucona: onde rola engarrafamento à meia-noite mas tb rolam boas conversas com o tiozinho pernambucano da birosca da esquina. Que tem os melhores restaurantes do país mas também tem uns botecos simples e bacanas como o do Hugo, desde 1920, com o melhor sanduba de linguiça da galáxia. Que tem muita gente estressada mas também tem um pessoal atencioso que não se acha tanto. Coisa pra caramba pra ir contando de vez em quando.

 

Mas preciso ressaltar que ainda acho a sala de embarque de Congonhas o melhor lugar daqui, viu. Afinal, é o lugar mais perto da minha família nessa cidade. Ôôôô saudade.   😦

 

 

Nike: Take It To the NEXT LEVEL

Se vc ainda não viu, assista o novo comercial da Nike feito especialmente para a Internet. Direção do Guy Ritchie. Excelente!

 

33 anos depois…

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Eu acho que já fiz muita coisa nessa vida. Eu já quis ser jogador de futebol como muitos garotos. Já joguei bola em campo de terra batida, eu já joguei em estádio. Já fiz teste no Corinthians, vi que não era bem isso e eu já achei que devia ter pensado em ser astronauta mesmo. Eu já fui cobrador de lotação, já fui balconista de padaria, eu já fui office-boy, eu já servi café, já fui motorista. Mas já fui assessor de ministro de estado também. Já bati um papo com o Pelé no meio da comemoração do meu aniversário de 20 anos, troquei idéia com a Xuxa sobre filhos, ouvi conselho do Serjão e o saudoso Mário Covas já me sacaneou por conta do meu ex-cabelo grande. Eu já dei trabalho na escola, já fui da galera do fundão mas eu também já fui aluno cdf. Eu já ergui a bandeira nacional na hora cívica da escola. Eu terminei os estudos no supletivo mas eu passei no vestibular de primeira. Eu já aprendi que é melhor ouvir do que falar, já aprendi que a gente não pode ter tudo que quer. Mas eu já sei também que podemos muitas coisas que queremos. Eu vi a Seleção de 82 em campo e cantei “Voa Canarinho” algumas vezes, mas  tive que ver também o Paolo Rossi acabar com a nossa festa. Já vi o esquadrão formado pelo Zico, Adílio, Andrade, o Nunes, o Tita e o Lico jogarem juntos no meu mengão. Já assisti o Flamengo ser campeão em cima do Vasco, no meio da Raça Rubro Negra no Maraca lotado. Já vi o Romário no Vasco acabar com o Flamengo. Mas também vi o Romário acabar com todo mundo em 1994 e o Brasil ser campeão do mundo. E vi o Ronaldinho também acabar com a Alemanha em 2002. Eu já fui pra Alemanha. E eu já sacaneei os alemães por causa desse jogo. Eu já subi na Estátua da Liberdade, no Cristo Redentor e já fui na Torre Eifell. Eu já segurei a onda de amigo bêbado. Eu também já fiquei bêbado e eu já acordei de ressaca. Eu já tomei caldo de sururu e comi um treco chamado suvaco de cobra lá em Pernambuco. E eu também já comi no restaurante mais antigo e famoso de Paris. Eu já comi pastel de feira em São Paulo, peroá em Vila Velha e acarajé “quente” em Salvador. Eu já briguei na rua e eu já separei briga na rua. Eu já brinquei de pique bandeirinha e de bete. Eu já comi Banda, Caramelos Nestlè, Dip N’Lik e vi o Kri virar Crunch. Eu já organizei festa junina, gincana na escola e festinha de criança. Eu já ganhei festa surpresa. Eu frequentei a Escola Dominical na Igreja Presbiteriana, eu fui batizado nas águas já adulto, eu já fui na igreja católica só pra ver qualé, eu já ganhei um concurso de quem achava versículos na bíblia mais rápido. Eu fui pra rua quando o Tancredo morreu, eu já gritei pelo impeachment de um presidente, eu já trabalhei em campanha pra Presidente. Eu comi lula frita num boteco em Santos pra comemorar a vitória do Fernando Henrique na eleição. E eu tive que engolir o Lula de verdade quando perdemos em 2002. Eu já subi no Empire State e já escutei “New York  New York” do Frank Sinatra na Brooklin Bridge. Eu vibrei muito quando vi o Piquet e o Senna serem campeões do mundo e eu chorei quando o Senna foi dessa pra melhor. Eu já vi muita gente bacana morrer, mas vi muitas figuras especiais nascerem. Eu já tomei banho de chuva várias vezes, mas já fiquei dois dias sem tomar banho de água doce. Eu já plantei uma árvore, eu já tive filhos, já me apaixonei,  já tive dor de cotovelo, já tomei fora da Juliana e depois ela resolveu casar comigo como manda o figurino. Eu assisti o parto das minhas duas filhas, eu já ensinei uma delas a andar de bicicleta sem rodinha e a outra a comer a primeira comidinha. Eu já chorei quando passaram mertiolate no meu machucado mas tive que passar mertiolate no machucado da minha filha enquanto ela chorava. Eu vi vários tipos de Coca-Cola serem inventadas e eu continuo tomando a mesma Coca-Cola original. Eu já peguei 45 saquinhos de Cosme Damião em um só dia. Eu já tomei bronca de chefe e já dei bronca como chefe. Já corri atrás de emprego, já consegui bons empregos, já fui dono do meu próprio negócio, já desisiti de ser dono do meu próprio negócio também. Eu já fui pra Disney um monte de vezes e eu já enchi o saco dos amigos pra irem pra Disney também. Eu já tive furúnculo, eu já roubei manga do vizinho, eu já tive piolho, eu já fugi de cachorro brabo, já joguei muita bola descalço na rua, eu já soltei pipa com cerol, eu joguei bolinha de gude. Eu nunca gostei de aparecer mas já precisei aparecer na TV, no rádio, no jornal, em revistas e na Internet. Eu já usei máquina de escrever, eu vi a Internet nascer antes de muita gente e eu comecei a trabalhar com Internet antes de muita gente. Eu já comi cachorro quente em Nova York e lá na pracinha do Guará achando bom do mesmo jeito. Eu assisti Piratas do Espaço, Chips, estréia de filme dos Trapalhões, eu já morri de medo com a brincadeira do copo e com Poltergeist- o Fenômeno. Eu já fui na Água Mineral, na piscina com ondas do Parque da Cidade, no Clube Primavera de Taguatinga e eu já passeei no Central Park. Eu já comi o pastel da Viçosa incontáveis vezes e muitos anos depois eu conheci o cara que fundou a Viçosa. Eu já perdi e já ganhei no par ou ímpar. Eu já trouxe Pizza Hut dentro do avião de São Paulo e eu já economizei um bom tempo pra ir comer no rodízio do Primo Piato. Eu sempre fui fã de coxinha. Eu já andei de bug nas dunas de Natal, eu já fiz fogueira com amigos na rua, eu já acampei, eu já dormi ao relento, eu já vendi din-din na porta de escola, eu já lavei carro pra ganhar uns trocados. Eu já fiz guerra de bolo, já vi o sol nascer e já vi o sol se pôr. Eu já fui nas Torres Gêmeas e também vi uns babacas derrubarem elas. Já vi o Papa de perto e depois vi ele morrer e outro ser escolhido. Eu já assisti show de rock e axé, eu já surfei, já mergulhei no mar, já subi em árvore e brinquei de pique-esconde. Eu já me perdi em Miami, em Goiânia e no Rio de Janeiro. Eu já fiz compras na comercial norte de Taguatinga, no calçadão de Madureira e também na Champs-Élysées. Eu já fiz muitos amigos por aqui e já fiz muitos que moram mundo afora. Eu já passei o maior calor da minha vida em Cuiabá e já quase congelei em Dresden na Alemanha. Eu já andei de trem bala, de bondinho, de jangada e de metrô. Eu aprendi a dirigir num Fusca, eu já dirigi um ônibus e uma Kombi. Eu já bati um carro e já não achei meu carro no lugar onde ele deveria estar. Eu já andei a cavalo, eu já tomei coice de cavalo, eu já vi tubarão de perto, já limpei galinheiro, já encerei chão, já plantei tomate. Eu já vi neve. Eu sempre me perguntei porque meu nome é Moriael, eu já tive que responder mil vezes que não sei de onde veio esse nome até que um dia encontrei um cara na rua que, do nada, me contou a história do meu nome todinha. Eu já andei de montanha-russa no carrinho da frente, eu já caí de bicicleta, eu já andei de kart. Eu fiquei fã do Legião Urbana, eu já cantei Faroste Caboclo centenas de vezes e eu já encontrei o Renato Russo. Eu também já dei uma topada com o Zidane na rua e eu já vi o Zidane não ser topado por ninguém e destruir o Brasil na Copa. Eu fui no Louvre, eu já fui no Museu de História Natural de NY, no Memorial JK, eu já nadei com os peixes em Porto de Galinhas, já andei de jet ski e já me senti como uma batata cozida nas piscinas de Caldas Novas. Eu já passei 3 horas seguidas numa Apple Store. Eu já li a revista MAD escondido e colecionei a Placar por vários anos. Eu escapei do Exército, eu já tive cabelo grande, eu já usei brinco em uma orelha, eu já fui reprovado na escola. Eu já aprendi a cozinhar, eu já deixei o arroz queimar, eu já fiz vários churrascos, já fiz comida chinesa, mexicana, tex-mex, italiana e vários mexidões. Eu já provei sarapatel, buchada de bode, scargot e caviar. Eu já tomei Chapinha e já tomei vinho caro. Eu já escutei música brega de noite, eu já escutei jazz de qualidade, eu já vi ensaio de escola de samba. Eu já fui aplaudido e eu já paguei mico. Eu já contei piada sem graça e piada engraçada. Eu já desfilei no 7 de setembro, eu já fui campeão jogando vôlei e futebol, eu já lutei judô. Eu já dormi no ônibus e perdi a parada, eu já tive dor de barriga no ônibus, eu já passei mal de tanto rir. Eu já pensei que nunca ia pra faculdade e anos depois eu fui pra melhor festa da minha vida que foi justamente a minha formatura na faculdade. Eu também já ouvi muitas vezes que era quase impossível trabalhar com o que se gosta. Eu não acreditei, dei um jeito de trabalhar todo dia com o que me faz feliz e eu ainda recebo por isso. Eu sempre achei que uma boa risada e um bom bate-papo valem mais que perder tempo discutindo seja lá o que for. Eu já li muitos livros, já escutei muita música, já escutei muitas histórias do meu avô, eu aprendi a jogar xadrez com meu outro avô. Eu já fui figurante de filme brasileiro, eu já brinquei dentro de bueiro, eu já nadei em rio, eu já pesquei no mar de noite. Eu já me vesti de super-homem, eu já pulei de cima da casa pensando que era o super-homem, eu já me vesti de papai noel pra minha filha. Eu nunca tive barba e eu sou o criador da língua do “ênet’s”. Eu já contei várias histórias pra Malu dormir, já ensinei ela a fazer côco no vaso, eu já fiz ela e a Duda dormirem no meu colo. Eu já troquei fraldas, eu já chorei na apresentação do dia dos pais. Eu descobri que a melhor coisa que pode existir na vida de um homem é ser pai. Quando a Duda nasceu eu descobri que essa felicidade podia dobrar. Eu sempre pensei o tempo todo sem parar, eu nunca perdi a mania de achar que as coisas sempre podem melhorar, eu nunca aprendi que o ótimo é o inimigo do bom. Eu sempre preferi o ganha-ganha do que o perde-perde numa negociação mas eu nunca aprendi que ao longo da vida as vezes é preciso dizer mais nãos. Eu sempre tive certeza que a verdade é melhor que a mentira. Eu também sempre achei que Deus foi mais legal comigo do que eu merecia. Mas eu também sempre me senti bem próximo Dele e concluí que Ele não se importava muito com alguns vacilos de vez em quando. E eu acho que é por isso que Ele me deixou chegar até aqui, aos 33 anos de idade. Porque se eu acho que  já vivi muita coisa legal, Ele sabe que ainda tenho muita coisa legal pra viver. Ele também sabe que eu nunca vou esquecer de valorizar e agradecer por cada detalhe daquilo que foi preparado pra mim. 

 

Obrigado, Senhor. 

 

 

O dia em que todos os notebooks do mundo engordaram de uma vez…

Primeiro, assista o vídeo:

 

 

 

 

Agora, vamos combinar: Eis aí mais um lançamento da galera do sr. Steve Jobs pra chacoalhar a cabeça de muita gente. Quero ver quem se atreve a chamar o seu velho notebook de “fininho” agora. 

 

Mas o melhor disso não tem haver necessariamente com a máquina em si. E sim com as mudanças que a Apple provoca num mercado inteiro. Como foi com os iMacs, com os iPods, com o iPhone. 

 

Como quando foi lançado o primeiro iBook, branquinho, pequeno, leve… mistura de iPod com notebook. Alguém tinha visto antes algum note PC que não fosse preto ou cinza e quadradão? Lembram dos iMac coloridos? A campanha perguntava exatamente isso: “Alguma vez te perguntaram qual sua cor preferida e vc respondeu.. bege??”. Nem preciso falar do iPhone, né? Quem dá uma mexida nele por 5 minutos nunca olha de novo pro próprio celular do mesmo jeito.

 

Esse é o lance da Apple na minha humilde opinião. Ela já sabe que não vai ser o mais vendido, não vai mudar o mapa de vendas do mundo. Mas vai continuar sendo o mais desejado porque faz exatamente aquilo que corresponde ao desejo e ao sonho dos usuários. E bem feito, surpreendendo sempre. As demais fabricantes de PC que se matem pensando numa forma de mais uma vez mudar seus produtos e copiar o estilo Apple de ser. 

 

Enfim, o que dizer do Mac Book Air? Só me resta sair anunciando: 

 

Atenção, atenção, alô, alô!!!  Vendo o meu Mac Book “gordinho”… quem vai quereeeeeer… olha aê… mulher bonita não paga mas tb não leva… tá acabando…  tá na promô… precinho de amigo hein… 

 

 

Pérolas do Lupa* – Analisando o Superman

Quem conhece o Lupa* sabe que o cara é naturalmente engraçado. Cria frases de efeito, comparações e novas palavras como ninguém. Mas ele tá se superando… agora começou a fazer análises um pouco mais profundas e claro, não menos engraçadas. Conversar sobre qualquer coisa com o Lupa é sempre uma experiência.

 

Resolvi reproduzir aqui o diálogo que tivemos no último sábado, sobre o Superman. Claro que não é tão engraçado como ouvindo ele falar sobre isso, mas aí vai a essência de uma conversa muito surreal:

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L – Shock, tu já viu o “Superman, o Retorno”?

M – Já… massa.. gostei.

L – Achei meio palha… umas cenas meio estranhas.. o bicho aparece meio emborrachado naquela cena do espaço.

M – Hum… eu achei massa. Aquela cena é meio trash mesmo, mas gostei do filme.

L – Velho, tava pensando num lance sobre o bicho… (bicho = o Superman)  Eu acho ele um super-herói muuuuito sem vergonha cara.

M – Oxi, por que?

L – Porque ele é tipo um super-heroi freela cara! Tu já pensou nisso?

M – Queeee?? Como assim muleke? Freela??

L – Cara, pensa só… ele é jornalista. E de noite sai de Superman, mas tipo fazendo freela… nunca tinha pensado nisso… o bicho não é dedicado na parada!! Porra, que bicho safado, cara! Não leva a sério!

M – huahuahuahuahuahuahuahuahua

L – Não cara, é sério… e tu sabe como é freela.. a gente nunca dá atenção como deve. Vai levando nas coxas e tal.. porra, muito palha o lance!

(Algum tempo depois consegui parar de rir da conversa surreal, aí entrei na dele)

M – Porra velho, mas assim… nesse esquema então o Homem-Aranha também é freela, não?

L – Nãaaaao, é diferente. O Peter Parker quer ser fotógrafo, mas só consegue freela. Ele é mais tempo o Homem-Aranha mesmo, esquema dedicado. É diferente… o Clark Kent quer ser jornalista mesmo.

M – É, tem lógica hauhauahuahaua

L – Caraca, nunca tinha pensado nisso. Que bicho sujo… se fosse dedicado já tinha conseguido pegar o Lex Lutor há muuuuito tempo. Mas o cara não leva a sério!

M – hauhauhauhauhauhauhauhauhauhauhauhauahuahuahuhaua

L – Palha… muito palha. Porra, tinha que ser um esquema dedicado… nunca tinha pensado nisso.

M – hauhuaauhauhauhauahuahuahuahuahuahauhauhauahuahuahauhau

Agora me explica: O que esse cara comeu/bebeu/fumou pra pensar logo num lance desses?

* Lupa = Luiz Paulo, é um amigo nível Jedi que trabalha comigo desde 1999. Começou programando, diz que é da TI, mas eu acho que o “bicho” na verdade saiu do mkt. Sabe de coisas que desafiam os agregadores RSS, se amarra em rango trash como eu, é viciado em novidades high tech mas adora falar mal da Apple perto de mim. O job preferido dele é o de ser pai do Pedro.

Paris – Um dia de Ratatouille

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Já assistiu Ratatouille? É mais um brilhante filme de animação da DISNEY/PIXAR que se passa em Paris e conta a divertida história de um ratinho que sonha ser cozinheiro. Vale a pena assistir. Mas o que isso tem haver com o post? Tudo. O restaurante do Gusteau, onde se passa o filme, foi inspirado num dos restaurantes mais famosos do mundo. E não é famoso a tôa.

ratatouille3.jpgO La Tour d’Argent é o restaurante mais antigo de Paris e um dos mais antigos do mundo. Fundado em 1584 o restaurante já teve como clientes vários Reis e outras tantas e não menos famosas personalidades do mundo. Além de ter uma das maiores adegas do mundo com mais de 500 mil rótulos, o restaurante já chegou a possuir 3 estrelas no guia Michelin por 51 anos.

Como todos sabem, comer bem é um evento pra mim. Não precisa ser caro, o importante é o sabor e também a história que há por trás do prato. Como tenho todo interesse de experimentar novos sabores onde quer que eu vá, não poderia deixar de incluir no meu “currículo gastronômico” um dos pratos mais famosos do mundo: O “pato ao sangue” ou em francês “Caneton” do La Tour d’Argent.

Esse prato foi inventado no século XVIII por Frédéric Delair e, simplificando, nada mais é do que um pato ao molho pardo. Mas tem dois detalhes que instigaram ainda mais a minha curiosidade: primeiro, ele é preparado no meio do salão chiquérrimo do restaurante, ritual repetido desde que foi inventado, numa prensa especial e por um chef de primeiríssima linha. Segundo e o ponto mais bacana: cada pato no restaurante é numerado e o cliente recebe um certificado de que esteve no d’Argent para prazerosamente degustar essa maravilha. A contagem já passa de 1 milhão, mas é um número exclusivo para cada felizardo. É ou não é um momento único?

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Foi então num lindo domingo com céu azul em Paris, depois de tomar café da manhã sob a  sombra da Torre Eiffel que estive no La Tour d’Argent. Extremamente bem recebido no térreo do prédio, subi ao 6o andar e fui conduzido ao belíssimo salão principal com vista para a Notre Dame. As cenas do longa da Pixar pipocavam em pequenos flashes a todo instante. A semelhança era realmente incrível. Detalhes como o carrinho de queijos, garçons de nariz empinado e claro, correria por todo lado sem jamais perder a elegância francesa ao servir, gente fina pedindo pratos ainda mais finos. Cenas de um filme. Ou de desenho, como preferir.

Pedi um menu especial que incluía o pato – e mais 7 pratos, da entrada até a sobremesa. Resumo da brincadeira: comi divinamente e saí de lá 2h e meia depois me sentindo o personagem Anto Ego, crítico gastronômico do filme Ratattouille, que após experimentar um prato especial fica meio desbaratinado com a experiência inesquecível. Valeu cada centavo! Ou melhor, cada notão de euro mesmo 🙂

Por fim, levei comigo o certificado número 1.062.540. E a certeza de que a lista de todos que passaram por lá e comeram o famoso pato mudou um pouco. Henri IV, o imperador japonês Hirohito, Winston Churchill, Theodore Roosevelt, Mikhail Gorbachev, John Kennedy, Charles Chaplin e agora o Moriael, lá de Brasília.

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