Os Estranhos

Assista agora a mais nova produção da PapaiLelo Pictures. Um filme estranho mesmo, que mostra o que acontece quando se mistura duas filhas, o Photo Booth, um Mac e o pouco tempo à tôa de um pai babão. Uma idéia na mão e uma câmera disponível sempre acabam bem. Ou acabam assim… digamos… de um jeito meio estranho! Assista e comente:

O dia em que a Malu estreou um sonho

Malu nos palcos

14 de maio de 2009, Sala Vila Lobos. Esse dia foi um daqueles dias marcantes na minha vida.

Eu tava realmente ansioso, com aquele friozinho na barriga, tentando imaginar o que é que se passava na cabeça dela naquela hora. Nem foi díficil, não precisei nem mesmo fechar os olhos pra deixar fluir a imaginação, começar a flutuar na lembrança que correu solta ao lembrar de um outro momento marcante.

Foi em julho de 1986, campo de futebol do Colégio Dom Bosco. Eu tinha 11 anos e era a minha primeira vez num jogo pra valer. Campo de gente grande, um passo à frente no meu sonho de garoto. Lembro perfeitamente de tudo: do campo, do jogo, do meu uniforme. Lembro também do frio na barriga que senti naquele dia e da ansiedade dos dias anteriores.

Lembro de olhar pro lado do campo e ver meu avô, minha mãe, meus irmãos. Mas minha imaginação, já fértil que só, conseguia enxergar toda a torcida do Flamengo. Não era o campo da Dom Bosco, era um estádio, um Maraca cheio. Foi o dia da minha estréia num palco que eu até então sonhava em frequentar no futuro. Daí pra frente é outra história que juro contar uma hora dessas. Um dia realmente importante, dia em que vivi um sonho mais de perto, um momento que não dá pra esquecer.

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Malu: 9 anos de uma paixão muito além da minha imaginação

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“Êeeeeeta mundo véi sem porteeeeeeira…”, grita o Chico Mumu, personagem interpretado por esse que vos escreve. Na mesma hora a Maricota responde que “é hoooooje que porrrrca torrrrce o rabo…”, num minerês engraçadíssimo. Isso sempre acontece no trajeto do nosso passeio imaginário pra fazenda, a mais legal das nossas brincadeiras. E foi ela que também criou o “Piuí”, nosso cavalo-pangaré que puxa a carroça. Foi da cabecinha dela que também surgiu a Mimosa, a vaquinha que nos fornece leite de mentira durante a brincadeira mas que solta “pum imaginário” com barulho engraçado, motivo das nossas gargalhadas que fazem até chorar. 
 

Mal largamos a fazenda e corremos pro aeroporto, também fruto da imaginação dessa gaiatinha. Já que o avião é nosso mesmo, bem acomodados na primeira classe já visitamos o mundo inteiro lado a lado, rindo e contando histórias. Garanto: ela é a melhor companheira de viagem que alguém pode ter. 

 

Chegamos de viagem? Hora de brincar de “Iá”, a nossa versão exclusiva de “vale tudo”, onde vale tudo mesmo, principalmente cosquinha. Lógico que eu sempre apanho. Mal sabe ela que, desde que nasceu, é nocaute certo nesse pai babão e apaixonado. 

 

Formamos uma dupla e tanto. 

 

Dupla mais conhecida aqui em casa como os Simis, ou melhor, os “Similares”. Um sonoro “Aaaaaaaaaaai” com dois dedinhos se esfregando formam a marca registrada. E sempre no final do nosso cumprimento que já está no 9o. passo. Bate, soquinho, pá daqui, pá de lá, nadadeira, cabeça, já éééééé!!! Sóóóóóó aí… 

 

“Bota fé, filha?” pergunto eu. “Boto fé, papai” responde ela com a voz mais linda do mundo, só de onda. Aliás, a voz só muda quando viro o “ChaPai”, versão chata. Quanto ela acaba de me dobrar novamente, o que não é muito difícil, rapidinho retorno ao cargo de “LePai”, a versão legal. Mas a minha Malu tinha mesmo é que ser a inventora do PapaiLelo, meu apelido desde que era pequeninha. 
 

Essa é a Malu. A minha Malu. 

 

Nesses 9 anos, recém completados, ela sempre foi minha amigona. Desde que nasceu, minha vida se transformou e carrega uma paixão que eu também vejo no olhinho dela, que brilha em meio a alegria das nossas brincadeiras.

 

Ela que é tema de samba do Tom Jobim, mas que sempre foi tema dos meus sonhos de virar pai um dia. E pra mim, que sempre soube que seria pai de uma Maria Luiza, mas que nunca tinha imaginado que ela seria como essa Malu que veio. Saiu beeeem melhor que a encomenda. 
 

Já cheguei a pensar que tanto amor assim pode até parecer coisa de sonho, dos contos de fadas, de histórinhas como as que eu e minha filhona inventamos todos os dias. Mas antes que eu pense em me beliscar pra ver se é de verdade, lá vem essa a minha “cara de gotinha” fazer mais uma sessão de cosquinhas. 

 

Nada melhor! Afinal de contas é sempre rindo que percebemos, em meio a tantos momentos e brincadeiras onde a imaginação sempre corre solta, que o melhor da história é saber que tudo tudo é de verdade. 

 

Te amo, Simis.

 

Papailelo

 

 

Duda, 2 anos

22 de outubro de 2006.

Era bem cedo quando logo após assistir o parto, eu acompanhei ela para aquela salinha bem ali do lado. Foi colocada com cuidado no berço quentinho… não demorou muito pro choro parar.

Estávamos sozinhos, eu sentei num banquinho que tava do lado do berço de um jeito que podia ficar olhando pra ela bem de perto. Percebi que ela me procurava em meio a um certo vulto que provavelmente havia à sua frente, quem sabe se ainda tentando compreender onde ela tava.

Por alguns instantes, seu olhinho mal conseguia abrir. Ela se esforçava, piscava devagarinho… até que ele não fechou mais. E foi a partir daí que ficamos ali, olhando um pro outro por um bom tempo…

Eu conversava baixinho, falava com ela, pensava alto e sentia que ela me entendia. A emoção, uma das mais fortes que já senti na vida, vinha acompanhada da sensação de estar conversando pela primeira vez com uma pessoa que eu sempre amei e já conhecia há um tempão. Algo como “sempre soubemos que esse momento ia chegar um dia”.

Ela já tava confortável e, com o olhar fixo, correspondia. Do seu jeito, mostrava que me amava também, mesmo tendo me conhecido há poucos minutos atrás. Era um momento único. Senti cumplicidade vindo daquela vidinha que tinha acabado de chegar, mas que parecia ter idéia do que representava. Minha emoção entregava tudo. Eu sentia um frio na barriga incrível, o coração batia forte, chegava a doer de tanta felicidade, tive vontade de gritar bem alto… era uma mistura de sentimentos esfuziante!

Um presente que chegou na hora certa, desejada, amada, querida, forte, linda, feliz. Mais que isso, veio como uma anjinha carregando uma mensagem de paz e harmonia. Senti isso na hora. Entendi na hora. E ela me contava tudinho com o olhar firme.

É, eu tava novamente apaixonado, surpreendido pela grata surpresa ao descobrir que, depois da chegada da Malu, era possível caber mais amor no meu coração.

Assim foram meus primeiros momentos com a Duda, há exatos dois anos atrás.

Essa figurinha que agita a casa faz aniversário hoje. 2 anos de vida dessa coisinha alegre, engraçada, esperta, risonha, tagarela, com personalidade forte que só, amada por seus pais e por sua irmã como ela nem imagina.

Acordei hoje decidido a escrever sobre isso, contar essa história. Lembrar desse “momento eterno”. Um momento que muda a vida de uma pessoa pra sempre. Como mudou a minha.

Parabéns, Cebolinha!

PapaiLelo, 22/10/08

Perólas da Malu: “Pai permanente”

Criança simplifica as coisas de um jeito que quase dá um nó na gente. Quando é a Malu* então… 

 

Como muita gente já sabe, tô em Sampa trabalhando desde julho na campanha eleitoral. Saudade absurda, lógico. Indo pouco à Brasília. Daí, já no último mês, ligo como todos os dias para casa:    

 

– Oi Filhota!!!

 

– Oooooooooooooooooooooooooooooooooooi papai!  

 

– Que saudade, meu amor! Sabia que tá quase acabando a campanha aqui? 

 

– Ééééé?

 

– Sério! E aí o papai vai voltar pra casa e não vem mais pra São Paulo… 

 

– Que dia, papai? 

 

– Dia 27 filha, tá pertinho!

 

– ah… legal… então dia 27 você volta a ser pai permanente, né? 

 

– hum?

 

* A Malu, que também atende por Maria Luiza, é uma figurinha de 8 anos que Deus com muita generosidade me deu como filha. Esperta, inteligente, não perde um lance e nem a chance de soltar um comentário gaiato.  Vira e mexe, posto aqui alguns. Para divertir e registrar pra sempre.  É também pós graduada em dobrar o pai, que se derrete fácil que só com aquele sorrisinho.