Malu: 9 anos de uma paixão muito além da minha imaginação

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“Êeeeeeta mundo véi sem porteeeeeeira…”, grita o Chico Mumu, personagem interpretado por esse que vos escreve. Na mesma hora a Maricota responde que “é hoooooje que porrrrca torrrrce o rabo…”, num minerês engraçadíssimo. Isso sempre acontece no trajeto do nosso passeio imaginário pra fazenda, a mais legal das nossas brincadeiras. E foi ela que também criou o “Piuí”, nosso cavalo-pangaré que puxa a carroça. Foi da cabecinha dela que também surgiu a Mimosa, a vaquinha que nos fornece leite de mentira durante a brincadeira mas que solta “pum imaginário” com barulho engraçado, motivo das nossas gargalhadas que fazem até chorar. 
 

Mal largamos a fazenda e corremos pro aeroporto, também fruto da imaginação dessa gaiatinha. Já que o avião é nosso mesmo, bem acomodados na primeira classe já visitamos o mundo inteiro lado a lado, rindo e contando histórias. Garanto: ela é a melhor companheira de viagem que alguém pode ter. 

 

Chegamos de viagem? Hora de brincar de “Iá”, a nossa versão exclusiva de “vale tudo”, onde vale tudo mesmo, principalmente cosquinha. Lógico que eu sempre apanho. Mal sabe ela que, desde que nasceu, é nocaute certo nesse pai babão e apaixonado. 

 

Formamos uma dupla e tanto. 

 

Dupla mais conhecida aqui em casa como os Simis, ou melhor, os “Similares”. Um sonoro “Aaaaaaaaaaai” com dois dedinhos se esfregando formam a marca registrada. E sempre no final do nosso cumprimento que já está no 9o. passo. Bate, soquinho, pá daqui, pá de lá, nadadeira, cabeça, já éééééé!!! Sóóóóóó aí… 

 

“Bota fé, filha?” pergunto eu. “Boto fé, papai” responde ela com a voz mais linda do mundo, só de onda. Aliás, a voz só muda quando viro o “ChaPai”, versão chata. Quanto ela acaba de me dobrar novamente, o que não é muito difícil, rapidinho retorno ao cargo de “LePai”, a versão legal. Mas a minha Malu tinha mesmo é que ser a inventora do PapaiLelo, meu apelido desde que era pequeninha. 
 

Essa é a Malu. A minha Malu. 

 

Nesses 9 anos, recém completados, ela sempre foi minha amigona. Desde que nasceu, minha vida se transformou e carrega uma paixão que eu também vejo no olhinho dela, que brilha em meio a alegria das nossas brincadeiras.

 

Ela que é tema de samba do Tom Jobim, mas que sempre foi tema dos meus sonhos de virar pai um dia. E pra mim, que sempre soube que seria pai de uma Maria Luiza, mas que nunca tinha imaginado que ela seria como essa Malu que veio. Saiu beeeem melhor que a encomenda. 
 

Já cheguei a pensar que tanto amor assim pode até parecer coisa de sonho, dos contos de fadas, de histórinhas como as que eu e minha filhona inventamos todos os dias. Mas antes que eu pense em me beliscar pra ver se é de verdade, lá vem essa a minha “cara de gotinha” fazer mais uma sessão de cosquinhas. 

 

Nada melhor! Afinal de contas é sempre rindo que percebemos, em meio a tantos momentos e brincadeiras onde a imaginação sempre corre solta, que o melhor da história é saber que tudo tudo é de verdade. 

 

Te amo, Simis.

 

Papailelo

 

 

Duda, 2 anos

22 de outubro de 2006.

 

Era bem cedinho quando logo após assistir o parto, eu acompanhei ela para aquela salinha bem ali do lado. Foi colocada com cuidado naquele bercinho quentinho e não demorou muito pro choro parar. 

 

Estávamos sozinhos, eu sentei num banquinho que tava do lado do berço de um jeito que podia ficar olhando pra ela bem de pertinho. Percebi que ela me procurava, em meio a um certo vulto que provavelmente havia à sua frente, quem sabe se ainda tentando compreender onde estava. 

Por alguns instantes, seu olhinho mal conseguia abrir. Ela se esforçava, piscava devagarinho, até que ele não fechou mais. E foi a partir daí que ficamos ali, olhando um pro outro por um bom tempo… 

 

Eu conversava baixinho, falava com ela, pensava alto e sentia que ela me entendia. A emoção, uma das mais fortes que já senti na minha vida, vinha acompanhada da sensação de estar conversando pela primeira vez com uma pessoa que eu sempre amei e já conhecia há um tempão. Algo como “sempre soubemos que esse momento um dia chegaria”. 

 

Ela já estava confortável e, com o olhar fixo, correspondia. Do seu jeito, mostrava que me amava também, mesmo tendo me conhecido há poucos minutos atrás. Era um momento único. Senti cumplicidade vindo daquela vidinha que tinha acabado de chegar, mas que parecia ter idéia do que representava. Minha emoção entregava tudo. Eu sentia um frio na barriga incrível, o coração batia forte, chegava a doer de tanta felicidade, tive vontade de gritar bem alto, esfuziante! 

 

Um presente que chegou na hora certa, desejada, amada, querida, forte, linda, feliz. Mais que isso, veio como uma anjinha carregando uma mensagem de paz e harmonia. Senti na hora. Entendi na hora. Ela me contava isso com o olhar firme. Eu estava novamente apaixonado, surpreendido pela grata surpresa ao descobrir que, depois da chegada da Malu, era possível caber mais amor no meu coração. 

 

Assim foram meus primeiros momentos com a Duda, há exatos dois anos atrás. 

Essa figurinha que agita a casa faz aniversário hoje. 2 anos de vida dessa coisinha alegre, engraçada, esperta, risonha, tagarela, com personalidade forte que só, amada por seus pais e por sua irmã como ela nem imagina. 

 

Acordei hoje decidido a escrever sobre isso, contar essa história. Lembrar desse “momento eterno”. Um momento que muda a vida de uma pessoa pra sempre. Como mudou a minha.

 

Parabéns, Cebolinha! 

 

PapaiLelo, 22/10/08

 

 

Perólas da Malu: “Pai permanente”

Criança simplifica as coisas de um jeito que quase dá um nó na gente. Quando é a Malu* então… 

 

Como muita gente já sabe, tô em Sampa trabalhando desde julho na campanha eleitoral. Saudade absurda, lógico. Indo pouco à Brasília. Daí, já no último mês, ligo como todos os dias para casa:    

 

- Oi Filhota!!!

 

- Oooooooooooooooooooooooooooooooooooi papai!  

 

- Que saudade, meu amor! Sabia que tá quase acabando a campanha aqui? 

 

- Ééééé?

 

- Sério! E aí o papai vai voltar pra casa e não vem mais pra São Paulo… 

 

- Que dia, papai? 

 

- Dia 27 filha, tá pertinho!

 

- ah… legal… então dia 27 você volta a ser pai permanente, né? 

 

- hum?

 

* A Malu, que também atende por Maria Luiza, é uma figurinha de 8 anos que Deus com muita generosidade me deu como filha. Esperta, inteligente, não perde um lance e nem a chance de soltar um comentário gaiato.  Vira e mexe, posto aqui alguns. Para divertir e registrar pra sempre.  É também pós graduada em dobrar o pai, que se derrete fácil que só com aquele sorrisinho. 

Figuras dessa vida: Toninho

O Toninho é uma figura que muito nos ajuda nessa temporada paulistana. Amigão, pontual, sempre disponível, simpatia pura. Fala pelos cotovelos e acho que é por isso que nos damos tão bem. Achei outra matraca desenfreada. Se preferir, vc pode chamá-lo de Toninho GPS que não é exagero algum. Nem os caras da CET conhecem tão bem as quebradas de Sampa. O cara até tira onda que o GPS que ele carrega (no porta luvas e desligado) é muito enrolado e menos rápido que ele. Pior que é verdade. São 30 anos no trânsito de São Paulo sem nenhum acidente, sempre conduzindo, como ele faz questão de dizer, apenas os amigos. Se ele disse que chega em 20 minutos em algum lugar que vc antes fez em 40, pode confiar. Ele chega. 
 

Mas tem uma que eu precisava contar aqui…

 

Na última sexta, estava eu voltando com o Toninho para a nossa base no Itaim, vindo da Barra Funda, por volta das 18hs. Putz, centro da cidade, hora de pico, trânsito ruim. Mas isso não é problema pro Toninho! Já já, pensei eu, ele encontra umas daquelas ruas paralelas que o trânsito flui que é uma beleza e chegamos rapidinho… coisa que ele conhece como ninguém! No meio do trânsito, o diálogo é melhor que a descrição:

 

- Caramba, Toninho, a coisa tá feia aqui, né?

- pô “Murael”, deixa comigo, né! Pegamos a rua aqui do lado e vc vai ver só.
 

E ele entra na paralela…

- Vc me desculpa, não repara não que a rua é feia… (e começa a contar a história do bairro inteiro!!!)

- Aqui é meio feio, mas é tranquilo – continua ele – Fica frio que você vai ver só, deixa com o Toninho. Esse caminho ninguém conhece!

 

Nessa hora, estávamos numa rua esquisita, estreita, cheia de movimento estranho. E o Toninho falando sem parar, pra variar… o carro pára no farol e quando eu olho pro lado, nada menos que uns 40 mlks de rua, homens, mulheres fumando crack!!! Era um show pirotécnico de esqueiros acendendo. Todos em volta do carro, enrolado em cobertores. Tomei um susto animal e perguntei assustado interrompendo a história paulistana do Toninho:

 

- ô Toninho!!! Que que isso?? Onde nós tamo, bicho??

- Fica frio, isso é a galera do crack, pô. Tá tranquilo! E continuou a falar sem parar como se estivesse no boteco com os amigos, nem tchum… os caras em volta do carro. Tipo pensando: opa! freguês!

- Tranquilo???? Pra você né? Vaza daqui bicho!!! Acelera esse carro Toninho!

- Calma meu amigo, tá dominado – (Resposta padrão, essa viu? Só pra avisar)

 

Mermão, ele cortou caminho pela Cracolândia! Só isso. Eu com a cara de assustado e o Toninho rindo sem parar, sem parar de falar é claro e descrevendo o lugar, como se eu fosse um turista querendo conhecer aqueles pontos trash da cidade:

 

- Aqui do lado é não-sei-o-que, ali naquele buraco escuro é xpto, bla bla bla bla… 

 

Ele tinha certeza que tava passeando pelo bosque, só pode. Eu, claro, querendo ver alguma rua com um movimento normal de pessoas.  

 

Passado o susto – depois me explicaram que não havia perigo nenhum (???), realmente chegamos mais cedo e cortamos o trânsito animal!  Ficou a história pra contar e um caminho a menos pra usar nos famosos atalhos do Toninho. Que figura… 

 

ps: Se um dia vc for cliente do Toninho e seu possante prata, igore a opção “com emoção”, sempre ofertada quando vc diz que está com pressa. Vai por mim.

 

 

Phelps: muito mais que recordes

Não dá pra não comentar. O que o Michael Phelps aprontou em Pequim é digno de admiração. Confesso que como bom brasileiro, só me emocionei mais com a vitória do Cielo. Mas foi mal, ficou quase no mano a mano. Não dava pra desgrudar os olhos da TV quando esse cara pulava na água.

 

Mais que ganhar medalhas, o Phelps mostrou que determinação e vontade de vencer é coisa pra poucos mesmo. Muitos atletas chegaram lá com esperança de medalhas, como favoritos. Mas quantos estão realmnete focados em serem os melhores, determinados a fazer história e não se dão por satisfeitos apenas por chegarem à uma olimpíada? Pouquíssimos como Michael Phelps. 

 

Ontem ouvi que o cara treina 365 dias no ano. Todo santo dia. Que já teve o futuro “condenado” por uma professora. E que já ouviu de muita gente que chegar onde ele chegou seria impossível. E é exatamente aí que começa a diferença entre Michael Phelps e o restante. Nas palvras do próprio Phelps:

“Nada é impossível. Com tantas pessoas me dizendo que eu não conseguiria, tudo o que precisei fazer foi usar a imaginação. Isso foi uma coisa que aprendi e que me ajudou muito aqui. Tudo foi como uma viagem louca em uma montanha russa, mas nunca me diverti tanto na vida.”

 

É isso. Espero que o cara ainda ganhe mais alguns ouros por aí. E que depois disso escreva um pouco sobre essa trajetória.  O fato é que essa cara meio esquisito tá ensinado muita coisa pra nós nas entrelinhas. Entre uma medalha e outra, Michael Phelps deu uma aula de como conquistar o que queremos. E ainda fez emocionando o mundo inteiro. 

 

Não dá mesmo pra esquecer disso: Nada é impossível. Sonhar, sonhar grande. Correr atrás disso com foco, garra, vontade. Sem medo de errar. Não dando ouvidos para que fica gorando. Usando a imaginação pra visualizar, acima de tudo, como vai ser bom o momento da vitória.

 

 

Sampa Life

Eu sempre disse que, pra mim, o melhor de São Paulo é a sala de embarque de Congonhas. Tá bom, é um pouco exagerado. Mas a sensação de sufoco que essa cidade provoca é punk mesmo. Talvez porque eu sempre vinha pra cá na correria, vindo de manhã pra voltar de noite. Trânsito, reunião, trabalho, trânsito, aeroporto. 

 

A correria continua, não vou e volto todo dia mais, às vezes só no fim de semana. Por isso, tá dando pra descobrir um outro lado da cidade nesse dia-a-dia acordando e dormindo por aqui. Isso pode soar meio estranho, parecer papo de doido. Mas se considerar que nasci em Brasília, que é uma cidade que não tem cara de cidade, viver em São Paulo mesmo que de passagem não é fácil. 

 

Por isso, depois de um tempão sem blogar, vou começar a passar as minhas impressões positivas da cidade. Um candango perdido nessa cidade malucona: onde rola engarrafamento à meia-noite mas tb rolam boas conversas com o tiozinho pernambucano da birosca da esquina. Que tem os melhores restaurantes do país mas também tem uns botecos simples e bacanas como o do Hugo, desde 1920, com o melhor sanduba de linguiça da galáxia. Que tem muita gente estressada mas também tem um pessoal atencioso que não se acha tanto. Coisa pra caramba pra ir contando de vez em quando.

 

Mas preciso ressaltar que ainda acho a sala de embarque de Congonhas o melhor lugar daqui, viu. Afinal, é o lugar mais perto da minha família nessa cidade. Ôôôô saudade.   :(

 

 

Trófeu “Coxinha de Ouro”

Quero começar dizendo que isso é sério. Coxinha é um assunto sério. E também que minha iniciativa visa reparar um grande injustiça: o não reconhecimento da coxinha como um dos grandes rangos do nosso país e do mundo. Pra mim está no mesmo nível de outros quitutes já internacionalizados como a pizza, o quibe, a esfiha e o cachorro quente.

 

 

Por isso, dou início aqui a uma GRANDE PESQUISA NACIONAL em busca das melhores coxinhas de Brasília e do país afora. E peço, é claro, a ajuda dos amigos nessa importantíssima jornada.

 

Fase 1 – Indique uma coxinha!
Indique o local que vc já comeu uma coxinha daquelas que vc pára e pensa. Olha pra ela e dá aquela sensação de “caramba… que bom isso!”. Isso não acontece com toda comida. Só com as melhores. O resto sempre passa desapercebido. Na medida do possível, eu e o Lupa (grande entendedor de coxinhas) iremos ao local vistoriar a indicada.

 

Fase 2 – Avaliação  (sugira um outro critério se não concordar com os abaixo)

 

  • Quesitos básicos (1 ponto): Estar quentinha, ter aquela casquinha que faz “crec” quando a gente morde, recheio compatível com a quantidade de massa, recheio com aqueles pedacinhos de frango/galinha e não a versão triturada, não estar muito oliosa, boa aparência.   
     
  • Quesitos avançados (2 pontos): Pedaço de salsinha dentro, não estar seca demais, recheadas com frango mais temperado – isso merece um ponto extra. E se além de ser gostosa, for baratinha, fantástico! Fechou. Preço nunca quis dizer qualidade quando o assunto é coxinha.
     
  • Quesitos de segurança (perda de pontos): se for encontrado pedaço de cartilagem na coxinha: menos um ponto. Osso: menos um ponto. Osso e cartilagem simultaneamente (caracterizando frango atropelado): menos três pontos. Se a massa da coxinha ficar agarrada nos dentes: menos um ponto.
     
  • Quesito gula: se você matou a fome com a primeira coxinha mas TEVE que pedir outra, mais 2 pontos.

  • Extra points: Se o local vender Coca em garrafa de vidro, mais um ponto extra. Molho de pimenta, outro ponto. Se a coxinha foi feita por uma tia que se encontra no local de venda do produto, mais um ponto. 
     
  • Trófeu Little Coxinha: Vc também pode opinar sobre coxinhas de pequeno porte, como as de festas de criança (ambiente particularmente dominado pelo mini cachorro-quente). 
     

As 10 melhores coxinhas avaliadas serão incluídas no Hall da Fama “1 minuto de silêncio”. A melhor coxinha na avaliação de todos receberá o Troféu Coxinha de Ouro, com ampla divulgação aos amigos consumidores de rango trash. 

 

Conto com a ajuda de todos! Sugestões no comment.

 

Importante: Está vedada a participação de coxinhas com catupiry. Consideramos isso uma deturpação da coxinha, feita provavelmente pelo cara que resolveu colocar limão na Coca-cola, queijo no quibe, banana na pizza, etc.

 
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Nike: Take It To the NEXT LEVEL

Se vc ainda não viu, assista o novo comercial da Nike feito especialmente para a Internet. Direção do Guy Ritchie. Excelente!

 

33 anos depois…

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Eu acho que já fiz muita coisa nessa vida. Eu já quis ser jogador de futebol como muitos garotos. Já joguei bola em campo de terra batida, eu já joguei em estádio. Já fiz teste no Corinthians, vi que não era bem isso e eu já achei que devia ter pensado em ser astronauta mesmo. Eu já fui cobrador de lotação, já fui balconista de padaria, eu já fui office-boy, eu já servi café, já fui motorista. Mas já fui assessor de ministro de estado também. Já bati um papo com o Pelé no meio da comemoração do meu aniversário de 20 anos, troquei idéia com a Xuxa sobre filhos, ouvi conselho do Serjão e o saudoso Mário Covas já me sacaneou por conta do meu ex-cabelo grande. Eu já dei trabalho na escola, já fui da galera do fundão mas eu também já fui aluno cdf. Eu já ergui a bandeira nacional na hora cívica da escola. Eu terminei os estudos no supletivo mas eu passei no vestibular de primeira. Eu já aprendi que é melhor ouvir do que falar, já aprendi que a gente não pode ter tudo que quer. Mas eu já sei também que podemos muitas coisas que queremos. Eu vi a Seleção de 82 em campo e cantei “Voa Canarinho” algumas vezes, mas  tive que ver também o Paolo Rossi acabar com a nossa festa. Já vi o esquadrão formado pelo Zico, Adílio, Andrade, o Nunes, o Tita e o Lico jogarem juntos no meu mengão. Já assisti o Flamengo ser campeão em cima do Vasco, no meio da Raça Rubro Negra no Maraca lotado. Já vi o Romário no Vasco acabar com o Flamengo. Mas também vi o Romário acabar com todo mundo em 1994 e o Brasil ser campeão do mundo. E vi o Ronaldinho também acabar com a Alemanha em 2002. Eu já fui pra Alemanha. E eu já sacaneei os alemães por causa desse jogo. Eu já subi na Estátua da Liberdade, no Cristo Redentor e já fui na Torre Eifell. Eu já segurei a onda de amigo bêbado. Eu também já fiquei bêbado e eu já acordei de ressaca. Eu já tomei caldo de sururu e comi um treco chamado suvaco de cobra lá em Pernambuco. E eu também já comi no restaurante mais antigo e famoso de Paris. Eu já comi pastel de feira em São Paulo, peroá em Vila Velha e acarajé “quente” em Salvador. Eu já briguei na rua e eu já separei briga na rua. Eu já brinquei de pique bandeirinha e de bete. Eu já comi Banda, Caramelos Nestlè, Dip N’Lik e vi o Kri virar Crunch. Eu já organizei festa junina, gincana na escola e festinha de criança. Eu já ganhei festa surpresa. Eu frequentei a Escola Dominical na Igreja Presbiteriana, eu fui batizado nas águas já adulto, eu já fui na igreja católica só pra ver qualé, eu já ganhei um concurso de quem achava versículos na bíblia mais rápido. Eu fui pra rua quando o Tancredo morreu, eu já gritei pelo impeachment de um presidente, eu já trabalhei em campanha pra Presidente. Eu comi lula frita num boteco em Santos pra comemorar a vitória do Fernando Henrique na eleição. E eu tive que engolir o Lula de verdade quando perdemos em 2002. Eu já subi no Empire State e já escutei “New York  New York” do Frank Sinatra na Brooklin Bridge. Eu vibrei muito quando vi o Piquet e o Senna serem campeões do mundo e eu chorei quando o Senna foi dessa pra melhor. Eu já vi muita gente bacana morrer, mas vi muitas figuras especiais nascerem. Eu já tomei banho de chuva várias vezes, mas já fiquei dois dias sem tomar banho de água doce. Eu já plantei uma árvore, eu já tive filhos, já me apaixonei,  já tive dor de cotovelo, já tomei fora da Juliana e depois ela resolveu casar comigo como manda o figurino. Eu assisti o parto das minhas duas filhas, eu já ensinei uma delas a andar de bicicleta sem rodinha e a outra a comer a primeira comidinha. Eu já chorei quando passaram mertiolate no meu machucado mas tive que passar mertiolate no machucado da minha filha enquanto ela chorava. Eu vi vários tipos de Coca-Cola serem inventadas e eu continuo tomando a mesma Coca-Cola original. Eu já peguei 45 saquinhos de Cosme Damião em um só dia. Eu já tomei bronca de chefe e já dei bronca como chefe. Já corri atrás de emprego, já consegui bons empregos, já fui dono do meu próprio negócio, já desisiti de ser dono do meu próprio negócio também. Eu já fui pra Disney um monte de vezes e eu já enchi o saco dos amigos pra irem pra Disney também. Eu já tive furúnculo, eu já roubei manga do vizinho, eu já tive piolho, eu já fugi de cachorro brabo, já joguei muita bola descalço na rua, eu já soltei pipa com cerol, eu joguei bolinha de gude. Eu nunca gostei de aparecer mas já precisei aparecer na TV, no rádio, no jornal, em revistas e na Internet. Eu já usei máquina de escrever, eu vi a Internet nascer antes de muita gente e eu comecei a trabalhar com Internet antes de muita gente. Eu já comi cachorro quente em Nova York e lá na pracinha do Guará achando bom do mesmo jeito. Eu assisti Piratas do Espaço, Chips, estréia de filme dos Trapalhões, eu já morri de medo com a brincadeira do copo e com Poltergeist- o Fenômeno. Eu já fui na Água Mineral, na piscina com ondas do Parque da Cidade, no Clube Primavera de Taguatinga e eu já passeei no Central Park. Eu já comi o pastel da Viçosa incontáveis vezes e muitos anos depois eu conheci o cara que fundou a Viçosa. Eu já perdi e já ganhei no par ou ímpar. Eu já trouxe Pizza Hut dentro do avião de São Paulo e eu já economizei um bom tempo pra ir comer no rodízio do Primo Piato. Eu sempre fui fã de coxinha. Eu já andei de bug nas dunas de Natal, eu já fiz fogueira com amigos na rua, eu já acampei, eu já dormi ao relento, eu já vendi din-din na porta de escola, eu já lavei carro pra ganhar uns trocados. Eu já fiz guerra de bolo, já vi o sol nascer e já vi o sol se pôr. Eu já fui nas Torres Gêmeas e também vi uns babacas derrubarem elas. Já vi o Papa de perto e depois vi ele morrer e outro ser escolhido. Eu já assisti show de rock e axé, eu já surfei, já mergulhei no mar, já subi em árvore e brinquei de pique-esconde. Eu já me perdi em Miami, em Goiânia e no Rio de Janeiro. Eu já fiz compras na comercial norte de Taguatinga, no calçadão de Madureira e também na Champs-Élysées. Eu já fiz muitos amigos por aqui e já fiz muitos que moram mundo afora. Eu já passei o maior calor da minha vida em Cuiabá e já quase congelei em Dresden na Alemanha. Eu já andei de trem bala, de bondinho, de jangada e de metrô. Eu aprendi a dirigir num Fusca, eu já dirigi um ônibus e uma Kombi. Eu já bati um carro e já não achei meu carro no lugar onde ele deveria estar. Eu já andei a cavalo, eu já tomei coice de cavalo, eu já vi tubarão de perto, já limpei galinheiro, já encerei chão, já plantei tomate. Eu já vi neve. Eu sempre me perguntei porque meu nome é Moriael, eu já tive que responder mil vezes que não sei de onde veio esse nome até que um dia encontrei um cara na rua que, do nada, me contou a história do meu nome todinha. Eu já andei de montanha-russa no carrinho da frente, eu já caí de bicicleta, eu já andei de kart. Eu fiquei fã do Legião Urbana, eu já cantei Faroste Caboclo centenas de vezes e eu já encontrei o Renato Russo. Eu também já dei uma topada com o Zidane na rua e eu já vi o Zidane não ser topado por ninguém e destruir o Brasil na Copa. Eu fui no Louvre, eu já fui no Museu de História Natural de NY, no Memorial JK, eu já nadei com os peixes em Porto de Galinhas, já andei de jet ski e já me senti como uma batata cozida nas piscinas de Caldas Novas. Eu já passei 3 horas seguidas numa Apple Store. Eu já li a revista MAD escondido e colecionei a Placar por vários anos. Eu escapei do Exército, eu já tive cabelo grande, eu já usei brinco em uma orelha, eu já fui reprovado na escola. Eu já aprendi a cozinhar, eu já deixei o arroz queimar, eu já fiz vários churrascos, já fiz comida chinesa, mexicana, tex-mex, italiana e vários mexidões. Eu já provei sarapatel, buchada de bode, scargot e caviar. Eu já tomei Chapinha e já tomei vinho caro. Eu já escutei música brega de noite, eu já escutei jazz de qualidade, eu já vi ensaio de escola de samba. Eu já fui aplaudido e eu já paguei mico. Eu já contei piada sem graça e piada engraçada. Eu já desfilei no 7 de setembro, eu já fui campeão jogando vôlei e futebol, eu já lutei judô. Eu já dormi no ônibus e perdi a parada, eu já tive dor de barriga no ônibus, eu já passei mal de tanto rir. Eu já pensei que nunca ia pra faculdade e anos depois eu fui pra melhor festa da minha vida que foi justamente a minha formatura na faculdade. Eu também já ouvi muitas vezes que era quase impossível trabalhar com o que se gosta. Eu não acreditei, dei um jeito de trabalhar todo dia com o que me faz feliz e eu ainda recebo por isso. Eu sempre achei que uma boa risada e um bom bate-papo valem mais que perder tempo discutindo seja lá o que for. Eu já li muitos livros, já escutei muita música, já escutei muitas histórias do meu avô, eu aprendi a jogar xadrez com meu outro avô. Eu já fui figurante de filme brasileiro, eu já brinquei dentro de bueiro, eu já nadei em rio, eu já pesquei no mar de noite. Eu já me vesti de super-homem, eu já pulei de cima da casa pensando que era o super-homem, eu já me vesti de papai noel pra minha filha. Eu nunca tive barba e eu sou o criador da língua do “ênet’s”. Eu já contei várias histórias pra Malu dormir, já ensinei ela a fazer côco no vaso, eu já fiz ela e a Duda dormirem no meu colo. Eu já troquei fraldas, eu já chorei na apresentação do dia dos pais. Eu descobri que a melhor coisa que pode existir na vida de um homem é ser pai. Quando a Duda nasceu eu descobri que essa felicidade podia dobrar. Eu sempre pensei o tempo todo sem parar, eu nunca perdi a mania de achar que as coisas sempre podem melhorar, eu nunca aprendi que o ótimo é o inimigo do bom. Eu sempre preferi o ganha-ganha do que o perde-perde numa negociação mas eu nunca aprendi que ao longo da vida as vezes é preciso dizer mais nãos. Eu sempre tive certeza que a verdade é melhor que a mentira. Eu também sempre achei que Deus foi mais legal comigo do que eu merecia. Mas eu também sempre me senti bem próximo Dele e concluí que Ele não se importava muito com alguns vacilos de vez em quando. E eu acho que é por isso que Ele me deixou chegar até aqui, aos 33 anos de idade. Porque se eu acho que  já vivi muita coisa legal, Ele sabe que ainda tenho muita coisa legal pra viver. Ele também sabe que eu nunca vou esquecer de valorizar e agradecer por cada detalhe daquilo que foi preparado pra mim. 

 

Obrigado, Senhor. 

 

 

A campanha política 2.0 do Barack Obama

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O político 2.0. Esse é o título do artigo que acabo de escrever sobre a campanha americana e que está publicado tanto no site da Knowtec quanto no Webinsider.  

 

Fala um pouco sobre a belíssima campanha do Obama utilizando recursos modernos, uma linguagem diferente e uma abordagem que sacode a campanha. Leia e comente!  

 

 

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