“Todo mundo nasce Flamengo, só que alguns degeneram”, ouvi repetidas vezes meu Tio Saulo dizer quando era garoto. Foi por isso que nasci Flamengo e achei mesmo que todo o resto do mundo torcesse pelo Mengo. Quando pelas mãos do Tio Jessé estreei num estádio, lá no gramado desfilavam Leandro, Júnior, Adílio, Andrade, Nunes, Lico, Zico e Tita. Era uma orquestra, claro que todo mundo tinha mesmo que ser Flamengo. Nem mesmo as tardes de domingo, os gols do Dinamite e os gritos de gol do Tio Ananias me faziam mudar de idéia. Só dava Flamengo. Coitado do Dinamite, coitado do Tio Ananias. Coitados dos que não torciam pro gigante rubro-negro. Mesmo não sendo tanta gente, já que afinal poucos ousavam ser diferentes.Era nisso que eu acreditava e daí só pensava: aqueles que “degeneraram” por um tempo, nem vão virar casaca, nasceram Flamengo, tem uma bela desculpa pra voltar. Se foi uma vez Flamengo, era pra sempre Flamengo.
Ele sempre foi mesmo o mais cotado, o mais amado, o que dava mesmo prazer de ver brilhar. Em cada canto desse Brasilzão, time da casa sempre foi o Mengão. Flamengo é povo, é paixão, é amor profundo, é de todo mundo. Se não existisse, seria mesmo um desgosto profundo. Como é bom ter o meu Mengo no mundo, no campo e nos belos versos de Lamartine Babo, nos Fla-Flus e em seus “ái-jesus”.
E nesse ensolarado domingo de 06 de dezembro, fui com meu amigo Toninho pro Maracanã, pra torcer de verdade pro time que sempre fui fã. Um belo domingo que amanheceu rubro-negro no país inteiro e especialmente no Rio de Janeiro. Paramos para tomar um chopp em Copacabana, mas foi só desculpa pra assistir aquele prenúncio de carnaval, apreciar o desfile vermelho e preto que tomou conta da orla da cidade maravilhosa. Era dia de espetáculo, um belo dia pra colocar pra fora o grito de campeão preso na garganta. E como jamais ousaria desafiar o samba, nem quis saber da numerada. Corri pra arquibancada, onde sempre dá pra sentir mais emoção! Tantas bandeiras, tantos balões, tanta energia, a maior torcida do mundo só podia mesmo dar show de harmonia. Mãos para o alto se sacodem e o conhecido, cadenciado e mundialmente repetido som de “Mengooo” ecoa em sintonia. É o balé da maior torcida, da maior paixão, no maior palco do mundo. Era tarde pra vencer, vencer, vencer. Tarde que confirmava que uma vez Flamengo, é Flamengo mesmo até morrer!
Vem pro campo mengão, explode Maraca! Pula, chora, grita, xinga, cobra, canta! Avante Mengão, raça Mengão, vai… me maltrata, me arrebata de tanta emoção. E que emoção! Vai com fé Andrade, mestre da humildade nas palavras e “arrogantemente” eficiente para os assunto da bola. Só mesmo quem faz parte dessa nação coberta pelo tradicional manto sagrado sabe: não pode ser fácil, nunca é fácil. Tem que ter emoção, tem que ser na luta, com fibra, enquanto a torcida vibra. E quando não há um imperador atento ou inspiração num craque sérvio marrento, lá vem um anjo rubro-negro que nunca deixa de estar por perto. E foi assim, com um gol do cearense Angelim, que o Maraca tremeu, que o Brasil gritou gol, que todo coração rubro-negro de nascença vibrou. Foi a hora que um exército de “degenerados” sentiu um nó na garganta, um arrepio no peito, uma sensação de ser tum pouco dono daquele caneco. Todo mundo teria orgulho de fazer parte daquela galera.
Ao som do apito final, mesmo em meio à emoção de uma alegria sem igual, eu olhei pro meu lado e fui abraçar um “tio” que assistiu o jogo amparado por um par de muletas e que agora chorava como uma criança. Dei-lhe um abraço, prontamente retribuído e que de lambuja trouxe as palavras que repetidamente davam o sentimento daquela tarde: “Nós somos campeões cara, o Flamengo é campeão cara, isso é lindo cara, isso é lindo”.
É meu novo amigo, que lindo esse Flamengo, que linda essa torcida, que lindo esse Maraca, como isso é lindo, que lindo dia pra um coração rubro-negro.
Assista agora a mais nova produção da PapaiLelo Pictures. Um filme estranho mesmo, que mostra o que acontece quando se mistura duas filhas, o Photo Booth, um Mac e o pouco tempo à tôa de um pai babão. Uma idéia na mão e uma câmera disponível sempre acabam bem. Ou acabam assim… digamos… de um jeito meio estranho! Assista e comente:

14 de maio de 2009, Sala Vila Lobos. Esse dia foi um daqueles dias marcantes na minha vida.
Eu tava realmente ansioso, com aquele friozinho na barriga, tentando imaginar o que é que se passava na cabeça dela naquela hora. Nem foi díficil, não precisei nem mesmo fechar os olhos pra deixar fluir a imaginação, começar a flutuar na lembrança que correu solta ao lembrar de um outro momento marcante.
Foi em julho de 1986, campo de futebol do Colégio Dom Bosco. Eu tinha 11 anos e era a minha primeira vez num jogo pra valer. Campo de gente grande, um passo à frente no meu sonho de garoto. Lembro perfeitamente de tudo: do campo, do jogo, do meu uniforme. Lembro também do frio na barriga que senti naquele dia e da ansiedade dos dias anteriores.
Lembro de olhar pro lado do campo e ver meu avô, minha mãe, meus irmãos. Mas minha imaginação, já fértil que só, conseguia enxergar toda a torcida do Flamengo. Não era o campo da Dom Bosco, era um estádio, um Maraca cheio. Foi o dia da minha estréia num palco que eu até então sonhava em frequentar no futuro. Daí pra frente é outra história que juro contar uma hora dessas. Um dia realmente importante, dia em que vivi um sonho mais de perto, um momento que não dá pra esquecer.
“Êeeeeeta mundo véi sem porteeeeeeira…”, grita o Chico Mumu, personagem interpretado por esse que vos escreve. Na mesma hora a Maricota responde que “é hoooooje que porrrrca torrrrce o rabo…”, num minerês engraçadíssimo. Isso sempre acontece no trajeto do nosso passeio imaginário pra fazenda, a mais legal das nossas brincadeiras. E foi ela que também criou o “Piuí”, nosso cavalo-pangaré que puxa a carroça. Foi da cabecinha dela que também surgiu a Mimosa, a vaquinha que nos fornece leite de mentira durante a brincadeira mas que solta “pum imaginário” com barulho engraçado, motivo das nossas gargalhadas que fazem até chorar.
Mal largamos a fazenda e corremos pro aeroporto, também fruto da imaginação dessa gaiatinha. Já que o avião é nosso mesmo, bem acomodados na primeira classe já visitamos o mundo inteiro lado a lado, rindo e contando histórias. Garanto: ela é a melhor companheira de viagem que alguém pode ter.
Chegamos de viagem? Hora de brincar de “Iá”, a nossa versão exclusiva de “vale tudo”, onde vale tudo mesmo, principalmente cosquinha. Lógico que eu sempre apanho. Mal sabe ela que, desde que nasceu, é nocaute certo nesse pai babão e apaixonado.
Formamos uma dupla e tanto.
Dupla mais conhecida aqui em casa como os Simis, ou melhor, os “Similares”. Um sonoro “Aaaaaaaaaaai” com dois dedinhos se esfregando formam a marca registrada. E sempre no final do nosso cumprimento que já está no 9o. passo. Bate, soquinho, pá daqui, pá de lá, nadadeira, cabeça, já éééééé!!! Sóóóóóó aí…
“Bota fé, filha?” pergunto eu. “Boto fé, papai” responde ela com a voz mais linda do mundo, só de onda. Aliás, a voz só muda quando viro o “ChaPai”, versão chata. Quanto ela acaba de me dobrar novamente, o que não é muito difícil, rapidinho retorno ao cargo de “LePai”, a versão legal. Mas a minha Malu tinha mesmo é que ser a inventora do PapaiLelo, meu apelido desde que era pequeninha.
Essa é a Malu. A minha Malu.
Nesses 9 anos, recém completados, ela sempre foi minha amigona. Desde que nasceu, minha vida se transformou e carrega uma paixão que eu também vejo no olhinho dela, que brilha em meio a alegria das nossas brincadeiras.
Ela que é tema de samba do Tom Jobim, mas que sempre foi tema dos meus sonhos de virar pai um dia. E pra mim, que sempre soube que seria pai de uma Maria Luiza, mas que nunca tinha imaginado que ela seria como essa Malu que veio. Saiu beeeem melhor que a encomenda.
Já cheguei a pensar que tanto amor assim pode até parecer coisa de sonho, dos contos de fadas, de histórinhas como as que eu e minha filhona inventamos todos os dias. Mas antes que eu pense em me beliscar pra ver se é de verdade, lá vem essa a minha “cara de gotinha” fazer mais uma sessão de cosquinhas.
Nada melhor! Afinal de contas é sempre rindo que percebemos, em meio a tantos momentos e brincadeiras onde a imaginação sempre corre solta, que o melhor da história é saber que tudo tudo é de verdade.
Te amo, Simis.
Papailelo
22 de outubro de 2006.
Era bem cedo quando logo após assistir o parto, eu acompanhei ela para aquela salinha bem ali do lado. Foi colocada com cuidado no berço quentinho… não demorou muito pro choro parar.
Estávamos sozinhos, eu sentei num banquinho que tava do lado do berço de um jeito que podia ficar olhando pra ela bem de perto. Percebi que ela me procurava em meio a um certo vulto que provavelmente havia à sua frente, quem sabe se ainda tentando compreender onde ela tava.
Por alguns instantes, seu olhinho mal conseguia abrir. Ela se esforçava, piscava devagarinho… até que ele não fechou mais. E foi a partir daí que ficamos ali, olhando um pro outro por um bom tempo…
Eu conversava baixinho, falava com ela, pensava alto e sentia que ela me entendia. A emoção, uma das mais fortes que já senti na vida, vinha acompanhada da sensação de estar conversando pela primeira vez com uma pessoa que eu sempre amei e já conhecia há um tempão. Algo como “sempre soubemos que esse momento ia chegar um dia”.
Ela já tava confortável e, com o olhar fixo, correspondia. Do seu jeito, mostrava que me amava também, mesmo tendo me conhecido há poucos minutos atrás. Era um momento único. Senti cumplicidade vindo daquela vidinha que tinha acabado de chegar, mas que parecia ter idéia do que representava. Minha emoção entregava tudo. Eu sentia um frio na barriga incrível, o coração batia forte, chegava a doer de tanta felicidade, tive vontade de gritar bem alto… era uma mistura de sentimentos esfuziante!
Um presente que chegou na hora certa, desejada, amada, querida, forte, linda, feliz. Mais que isso, veio como uma anjinha carregando uma mensagem de paz e harmonia. Senti isso na hora. Entendi na hora. E ela me contava tudinho com o olhar firme.
É, eu tava novamente apaixonado, surpreendido pela grata surpresa ao descobrir que, depois da chegada da Malu, era possível caber mais amor no meu coração.
Assim foram meus primeiros momentos com a Duda, há exatos dois anos atrás.
Essa figurinha que agita a casa faz aniversário hoje. 2 anos de vida dessa coisinha alegre, engraçada, esperta, risonha, tagarela, com personalidade forte que só, amada por seus pais e por sua irmã como ela nem imagina.
Acordei hoje decidido a escrever sobre isso, contar essa história. Lembrar desse “momento eterno”. Um momento que muda a vida de uma pessoa pra sempre. Como mudou a minha.
Parabéns, Cebolinha!
PapaiLelo, 22/10/08
Criança simplifica as coisas de um jeito que quase dá um nó na gente. Quando é a Malu* então…
Como muita gente já sabe, tô em Sampa trabalhando desde julho na campanha eleitoral. Saudade absurda, lógico. Indo pouco à Brasília. Daí, já no último mês, ligo como todos os dias para casa:
- Oi Filhota!!!
- Oooooooooooooooooooooooooooooooooooi papai!
- Que saudade, meu amor! Sabia que tá quase acabando a campanha aqui?
- Ééééé?
- Sério! E aí o papai vai voltar pra casa e não vem mais pra São Paulo…
- Que dia, papai?
- Dia 27 filha, tá pertinho!
- ah… legal… então dia 27 você volta a ser pai permanente, né?
- hum?
* A Malu, que também atende por Maria Luiza, é uma figurinha de 8 anos que Deus com muita generosidade me deu como filha. Esperta, inteligente, não perde um lance e nem a chance de soltar um comentário gaiato. Vira e mexe, posto aqui alguns. Para divertir e registrar pra sempre. É também pós graduada em dobrar o pai, que se derrete fácil que só com aquele sorrisinho.
O Toninho é uma figura que muito nos ajuda nessa temporada paulistana. Amigão, pontual, sempre disponível, simpatia pura. Fala pelos cotovelos e acho que é por isso que nos damos tão bem. Achei outra matraca desenfreada. Se preferir, vc pode chamá-lo de Toninho GPS que não é exagero algum. Nem os caras da CET conhecem tão bem as quebradas de Sampa. O cara até tira onda que o GPS que ele carrega (no porta luvas e desligado) é muito enrolado e menos rápido que ele. Pior que é verdade. São 30 anos no trânsito de São Paulo sem nenhum acidente, sempre conduzindo, como ele faz questão de dizer, apenas os amigos. Se ele disse que chega em 20 minutos em algum lugar que vc antes fez em 40, pode confiar. Ele chega.
Mas tem uma que eu precisava contar aqui…
Na última sexta, estava eu voltando com o Toninho para a nossa base no Itaim, vindo da Barra Funda, por volta das 18hs. Putz, centro da cidade, hora de pico, trânsito ruim. Mas isso não é problema pro Toninho! Já já, pensei eu, ele encontra umas daquelas ruas paralelas que o trânsito flui que é uma beleza e chegamos rapidinho… coisa que ele conhece como ninguém! No meio do trânsito, o diálogo é melhor que a descrição:
- Caramba, Toninho, a coisa tá feia aqui, né?
- pô “Murael”, deixa comigo, né! Pegamos a rua aqui do lado e vc vai ver só.
E ele entra na paralela…
- Vc me desculpa, não repara não que a rua é feia… (e começa a contar a história do bairro inteiro!!!)
- Aqui é meio feio, mas é tranquilo – continua ele – Fica frio que você vai ver só, deixa com o Toninho. Esse caminho ninguém conhece!
Nessa hora, estávamos numa rua esquisita, estreita, cheia de movimento estranho. E o Toninho falando sem parar, pra variar… o carro pára no farol e quando eu olho pro lado, nada menos que uns 40 mlks de rua, homens, mulheres fumando crack!!! Era um show pirotécnico de esqueiros acendendo. Todos em volta do carro, enrolado em cobertores. Tomei um susto animal e perguntei assustado interrompendo a história paulistana do Toninho:
- ô Toninho!!! Que que isso?? Onde nós tamo, bicho??
- Fica frio, isso é a galera do crack, pô. Tá tranquilo! E continuou a falar sem parar como se estivesse no boteco com os amigos, nem tchum… os caras em volta do carro. Tipo pensando: opa! freguês!
- Tranquilo???? Pra você né? Vaza daqui bicho!!! Acelera esse carro Toninho!
- Calma meu amigo, tá dominado – (Resposta padrão, essa viu? Só pra avisar)
Mermão, ele cortou caminho pela Cracolândia! Só isso. Eu com a cara de assustado e o Toninho rindo sem parar, sem parar de falar é claro e descrevendo o lugar, como se eu fosse um turista querendo conhecer aqueles pontos trash da cidade:
- Aqui do lado é não-sei-o-que, ali naquele buraco escuro é xpto, bla bla bla bla…
Ele tinha certeza que tava passeando pelo bosque, só pode. Eu, claro, querendo ver alguma rua com um movimento normal de pessoas.
Passado o susto – depois me explicaram que não havia perigo nenhum (???), realmente chegamos mais cedo e cortamos o trânsito animal! Ficou a história pra contar e um caminho a menos pra usar nos famosos atalhos do Toninho. Que figura…
ps: Se um dia vc for cliente do Toninho e seu possante prata, igore a opção “com emoção”, sempre ofertada quando vc diz que está com pressa. Vai por mim.

Não dá pra não comentar. O que o Michael Phelps aprontou em Pequim é digno de admiração. Confesso que como bom brasileiro, só me emocionei mais com a vitória do Cielo. Mas foi mal, ficou quase no mano a mano. Não dava pra desgrudar os olhos da TV quando esse cara pulava na água.
Mais que ganhar medalhas, o Phelps mostrou que determinação e vontade de vencer é coisa pra poucos mesmo. Muitos atletas chegaram lá com esperança de medalhas, como favoritos. Mas quantos estão realmnete focados em serem os melhores, determinados a fazer história e não se dão por satisfeitos apenas por chegarem à uma olimpíada? Pouquíssimos como Michael Phelps.
Ontem ouvi que o cara treina 365 dias no ano. Todo santo dia. Que já teve o futuro “condenado” por uma professora. E que já ouviu de muita gente que chegar onde ele chegou seria impossível. E é exatamente aí que começa a diferença entre Michael Phelps e o restante. Nas palvras do próprio Phelps:
“Nada é impossível. Com tantas pessoas me dizendo que eu não conseguiria, tudo o que precisei fazer foi usar a imaginação. Isso foi uma coisa que aprendi e que me ajudou muito aqui. Tudo foi como uma viagem louca em uma montanha russa, mas nunca me diverti tanto na vida.”
É isso. Espero que o cara ainda ganhe mais alguns ouros por aí. E que depois disso escreva um pouco sobre essa trajetória. O fato é que essa cara meio esquisito tá ensinado muita coisa pra nós nas entrelinhas. Entre uma medalha e outra, Michael Phelps deu uma aula de como conquistar o que queremos. E ainda fez emocionando o mundo inteiro.
Não dá mesmo pra esquecer disso: Nada é impossível. Sonhar, sonhar grande. Correr atrás disso com foco, garra, vontade. Sem medo de errar. Não dando ouvidos para que fica gorando. Usando a imaginação pra visualizar, acima de tudo, como vai ser bom o momento da vitória.

Eu sempre disse que, pra mim, o melhor de São Paulo é a sala de embarque de Congonhas. Tá bom, é um pouco exagerado. Mas a sensação de sufoco que essa cidade provoca é punk mesmo. Talvez porque eu sempre vinha pra cá na correria, vindo de manhã pra voltar de noite. Trânsito, reunião, trabalho, trânsito, aeroporto.
A correria continua, não vou e volto todo dia mais, às vezes só no fim de semana. Por isso, tá dando pra descobrir um outro lado da cidade nesse dia-a-dia acordando e dormindo por aqui. Isso pode soar meio estranho, parecer papo de doido. Mas se considerar que nasci em Brasília, que é uma cidade que não tem cara de cidade, viver em São Paulo mesmo que de passagem não é fácil.
Por isso, depois de um tempão sem blogar, vou começar a passar as minhas impressões positivas da cidade. Um candango perdido nessa cidade malucona: onde rola engarrafamento à meia-noite mas tb rolam boas conversas com o tiozinho pernambucano da birosca da esquina. Que tem os melhores restaurantes do país mas também tem uns botecos simples e bacanas como o do Hugo, desde 1920, com o melhor sanduba de linguiça da galáxia. Que tem muita gente estressada mas também tem um pessoal atencioso que não se acha tanto. Coisa pra caramba pra ir contando de vez em quando.
Mas preciso ressaltar que ainda acho a sala de embarque de Congonhas o melhor lugar daqui, viu. Afinal, é o lugar mais perto da minha família nessa cidade. Ôôôô saudade.








